oi Pai,
Amanhã é seu dia, e eu estou aqui triste.
Eu sei que você me ama, e que nunca vai me abandonar. Eu sei disso. Eu sei que errei muito esse último ano, e estou tentando não mais errar. Eu amo essa profissão que escolhi, eu amo ser fotógrafa. Mas eu tenho medo de não conseguir, e minha família de novo pagar o preço pelo meu fracasso. Tanto o financeiro quanto o emocional.
Acabei de sair do quarto, ouvindo da Su que meu erro é tratar a profissão como profissão. É todos saberem o quanto eu amo isso. O quanto levo a sério. Que talvez se eu fosse mais non-chalant, e agisse como um hobby, talvez eu tivesse mais sucesso. E isso me machucou. Até porque nos últimos quatro, quase cinco meses, não tenho feito nada além disso, e ainda me machuca pegar aquela revista de comida e lembrar tudo o que rolou. Lembrei agora como duas vezes fui enganada pela equipe da revista. Como fui chamada pra uma apresentação de portfólio, e esnobada. Colocada pra sentar na recepção esperando o editor de arte que nunca veio, e mandou o assistente me mandar embora. E depois, quando liguei, disse que gostaram do material que deixei, e iam me ligar com o material de uma pauta para ser feita. E nunca mais teria ouvido deles, se não tivesse ligado meses depois, perguntando da tal pauta, e o mesmo diretor de arte nem quis atender minha ligação.
Ai Pai, como isso dói. Abrir a revista e ver que meu estilo, que não servia, é o mesmo do fotógrafo novo que chamaram. E a Su comentar que algumas fotos, ela tem a impressão que o cara deve ter visto foto tal e tal minhas. E como não, meu material está lá até hoje. Oh, mas eu não sou ninguém, como é que posso pensar isso de alguém que é alguém?
Amanhã Pai, eu vou me colocar em seus pés como a filha que fracassou mais um ano. E adiou a vida minha e de minha mulher por mais um ano. E vou te pedir desculpas por ter te envergonhado e não ter trabalhado duro o suficiente para ter conseguido. Eu não acho que eu seja uma vítima, ou uma eterna vítima da vida. Eu só fracassei. De novo. Amanhã Pai, eu vou me colocar a seus pés e bater minha cabeça ao chão, porque eu te amo, mas tenho vergonha de te olhar nos olhos. Eu não sei se mereço seu abraço. Eu só quero o seu perdão, e ajuda pra tentar de novo. E torcer para esse ano eu não cair pelo caminho mais uma vez, nem deixar de mostrar o valor que tenho. E melhorar. Eu tenho medo até de prometer isso, porque tenho medo de falhar de novo. Eu não quero que minha vida seja uma eterna fuga de meus fracassos adiando meus sonhos, fingindo que o que é importante não vale tanto, e me comendo por dentro até que só sobre uma casca vazia e sem personalidade.
Eu só quero, meu Pai, que você me considere digna de trabalhar.
Eu te amo meu Pai Ogum. Ogum Yê.
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