Sal da Terra

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

O medo que entorpece

E aqui vai mais um desabafo. Eu preciso de um, volta e meia, pra não explodir. Ou implodir na verdade, de tão vazia que me sinto. Tem dias que são mais complicados que outros.

Planejar todas as contas do mês, sabendo que não somo nada na receita doméstica está sendo pesado. E o tempo que não trabalho. Tem certas decisões profissionais que eu me arrependo de ter tomado, honestamente. Sabe, no fim das contas, ser fotógrafa profissional significa ter fotografia como profissão, não como hobby. Muito bonito a arte pela arte, mas ninguém dá esmola em rolos de filme cromo. Ser fotógrafa profissional significa me sustentar, tendo a profissão como fonte de renda estável. Eu não tenho clientes. Não me chamam mais em revistas. Achei que estava pronta pra sair das revistas menores para as maiores, mas ainda não. O peso dos 30 pesa, me fazendo querer cortar etapas e pular os 10 anos que teria que esperar mesmo, se tivesse começado aos 20, como a maioria, e ter alguma estabilidade aos 30, impossível pra alguém com tão pouco tempo de carreira.

Eu paro olhando pras sombras do quarto. Analizando a luz e os reflexos, as texturas, e pensando o que falta? Gente com menos tempo de profissão e mais contatos chega lá. Então, é isso? Ok, eu tinha que sair da Gabel, antes que levasse uma rasteira que me botasse no chão. Isso é definitivo. Me dói um pouco, porque tinha gente legal trabalhando lá. Mas não nos lugares certos, e eu subi demais pra me dar ao luxo de só lidar com as pessoas legais.

Ping, Pong, Ping, Pong. A bolinha do pensamento vai e volta. Cada palavra errada em cada leitura de portfólio. Cada promessa que não foi cumprida. Nossa, cara elogio. Como meu portfólio é ótimo, não? Bom, incrível, sensacional. Como é que um portfólio que só tem elogios, pode ser ignorado? Caramba, se eu recebesse comentários negativos, era mais fácil.

“Seu trabalho é um LIXO!”

Pronto, eu chorava, mas voltava pra prancheta de desenho. Tá tudo errado, hora de me reavaliar. Mas e agora? Tudo tá bom? Não, não tá, porque se estivesse, eu tava trabalhando. Direto. Mas o que tá errado? Eu não consigo saber sozinha. Como é que eu sei que o bom é bom, ou o bom não é tão bom? Cada um tem uma opinião, e eu sinto que perco a minha.

Eu costumava falar pro Márcio que quem tem vaga garantida, só sai quando faz merda. Aí, o importante é ser o seguinte na fila. Eu acreditava nisso. Hoje, nem sei viu? Tanta gente fazendo merda por aí, e nem por isso eu entro. Ou será que só eu acho uma merda, e os outros aplaudem?

Encomendei a Biografia de Claude Monet. Uma bem especial. Traça um paralelo da evolução das obras com a carreira e a vida pessoal dele. E traça o caminho que leva ele de bunda-suja a grande pintor aclamado. Quem sabe não me dá uma luz?

Eu preciso trabalhar. Preciso achar trabalho. Botei os flyers pra fazer fotografia de casamento por várias lojas de aluguel de roupas e salões de cabelereiro. Será que vai pra frente? Duas semanas, até agora, nenhuma resposta. Tô me perdendo? A gente precisa se perder pra se achar?

Eu preciso trabalhar. Eu sei que vou continuar com câmera na mão, e clicando. Sendo paga ou não. E tentando evoluir. Por causa disso tudo. Apesar disso tudo. Porque peixe que para, a onde leva.

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