Eu vivo na vila do Pedro
Panelas são injustas, panelas sempre jogam a qualidade do trabalho para baixo, porque independentemente da qualidade do trabalho, panela é panela. Nada é meritório, tudo é relativizado pela Panela. Um trabalho ruim é relevado, um trabalho bom, desnecessário. Panela é isso. Panela suja, panela mal ariada, panela triste, panela nunca serviu na história da humanidade pra qualquer coisa que valha.
As panelas do futebol fazem nosso país perder títulos óbvios, jogando saltos altos nos que acabam de entrar, e entram apenas pela força extrema dos dividendos do patrocínio. As panelas da arte impedem a ascenção de qualquer coisa nova e refrescante no cenário. As panelas da música restringem a criação ao Laiá-Laiá, onde velhos não-sucessos de antigos compositores são forçados em novos talentos, impedidos de gravar o que os levou a ter um contrato em primeiro lugar.
Agora, as panelas da fotografia brasileira são nefastas. Enferrujadas e buraquentas, acabam criando um senso de estagnação em um mercado que já é pequeno. Será que só mesmo quando os poucos medalhões estiverem mortos e estribuchados, em túmulos profundos e esquecidas suas lápides, teremos alguma chance de renovação?
Estou chorando, chorando pelas mentiras que cercam as bocas de panela, eternamente na pia das editoras, pedindo para serem lavadas, ou terem destino mais apropriado na lixeira, enquanto eu já me acostumei a ouvir o Pedro e o Lobo pela nona vez. Eu vivo na vila de Pedro.
Como dizem na propaganda da Nextel.... esse é o meu trabalho, esse é o meu mundo, essa é minha turma.
Que merda, não?
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